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Douro: a mais antiga região demarcada do mundo

No que diz respeito aos prazeres da boa vida, Portugal sempre foi pioneiro. O cultivo da vinha é uma das principais atividades do nosso país, e nenhuma região se demarcou tanto ao início - literalmente - como a região do Douro. Sabia que existem cerca de 209 milhões de pés de vinha plantados na região? Descubra a história e as características da primeira região demarcada de vinhos do mundo.

Região demarcada do Douro | Quintas no Douro | vinhas Douro

Quem deu o nome “Douro” à região banhada pelo rio do mesmo nome, provavelmente estava siderado com a paisagem dourada pelo reflexo do sol na água. Esta verdadeira beleza natural é populada desde os tempos pré-históricos — calcula-se que desde há 30 mil anos — e as condições climatéricas e geológicas permitiram-lhe, desde cedo, fomentar a arte do cultivo de vinhas e da produção de vinhos.

Os primeiros vestígios de produção de vinho datam do séc. XX a. C., com a descoberta de grainhas “vitis vinífera” na estação arqueológica do Buraco da Pala, perto de Mirandela. Daí até aos nossos dias, a arte de produzir e apreciar aquele que era também designado no tempo da Grécia antiga como de alimento dos deuses, foi-se desenvolvendo em variados episódios, e culmina hoje em dezenas de quintas que produzem vários tipos de vinhos: desde os generosos ou licorosos até aos tranquilos, aqueles que se bebem à mesa e acompanham a refeição.

Mas antes de entrarmos nas especificidades dos vinhos, comecemos por caracterizar a região do Douro.

Região Demarcada do Douro: Tranquilidade e Generosidade

O rio Douro estende-se por 850 quilómetros, que vão desde a nascente, em Espanha, até à foz na cidade do Porto. De toda a sua dimensão, a maior parte (525 quilómetros) situa-se em Espanha. A região demarcada do Douro, criada em 1756 pelo Marquês de Pombal, constitui a mais antiga região vitícola regulamentada do mundo. O vale do vinho, como se chama também a esta região, tem cerca de 250 mil hectares que vão de Freixo de Espada à Cinta e Barca de Alva, a Este, até à Régua e Mesão Frio. Destes, apenas 45 mil hectares têm plantação de vinha, reunindo 120 variedades de uvas de onde se obtêm os mais variados vinhos brancos, tintos e rosés. De todas estas castas, algumas são consideradas de excelência na região, como é o caso da Touriga Nacional, a Touriga Franca, a Tinta Roriz entre outras.

Em termos gerais, o vinho pode classificar-se em duas grandes categorias: os vinhos tranquilos — ou seja, aqueles que podem ser levados à mesa e acompanham refeições, situando-se entre os 11 e os 14 graus na sua maioria — e os vinhos licorosos ou generosos, do qual o vinho do Porto é o expoente máximo de excelência, e que tem a adição de aguardente que lhe confere um maior grau de álcool. E já que estamos a falar de uvas, saiba que, no total, o Douro vinhateiro tem cerca de 209 milhões de pés de videira plantados. É muita uva.

Vinho do Porto, o Rei

A história e boa fama dos vinhos do Porto vem desde o séc. XVII, mais concretamente em 1675 quando aparece pela primeira vez a expressão “vinho do Porto”. A sua origem terá sido a tal adição de aguardentes à produção vinícola para garantir que o vinho não perdia as suas qualidades nas longas viagens embarcadas que fazia. Este vinho, tão apreciado pelos ingleses, chegou a ser parte integrante do tratado de Methwen, em que Portugal oferecia condições especiais de fornecimento à Inglaterra em troca de tecidos, de que por cá havia falta. Chegava-se a dizer que o vinho do Porto era melhor do que os que existiam na Borgonha, uma das melhores terras de vinho do Mundo naquele momento.

Sabia que existem mais de 33 mil viticultores na região do Douro e que 80% possuem menos de meio hectare de cultivo (meio-campo de futebol)?

Mas com este sucesso, vieram as tentações de produzir muito e de forma pouco ordenada. A quebra de qualidade dos vinhos levou o Marquês de Pombal, em 1756, a criar a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, que procurava regulamentar a sua produção e comercialização: é daí que resulta a demarcação das regiões e as regulamentações a que deveriam estar sujeitas, evitando adulterações e estabilizando os preços. Foi a primeira vez que algo semelhante aconteceu no mundo inteiro.

A região demarcada do Douro divide-se em três zonas distintas: o Baixo-Corgo, que representa 51% da área ocupada por vinha e que vai desde Barqueiros ao rio Corgo; o Cima-Corgo, centrado na cidade do Pinhão; e o Douro Superior, a área mais pequena com 13% da área de vinha.

As uvas cultivadas no Baixo-Corgo são maioritariamente utilizadas na produção de vinho do Porto Ruby e Tawny de preços mais acessíveis. Mas é o Cima-Corgo que constitui o coração da produção de vinho do Porto, sido aqui produzidos vinhos de grande qualidade, como os “vintages” ou “late bottled vintages".

As Quintas no Douro e os seus vinhos

O rio Douro permite a ligação fluvial entre a produção e o consumo. As quintas, que cultivavam as uvas e produziam os vinhos nas margens do rio, transportavam-no depois rio abaixo até às caves de Vila Nova de Gaia, nos famosos barcos Rabelo. Era daqui que saiam depois para o mercado e para o consumidor.  Algumas das caves mais conhecidas são a Calém, a Ferreira, a Burmester, a Taylor’s, a Cockburn’s, a Churchill’s, a Porto Cruz ou a Graham’s.

Mas antes de chegar às caves, os vinhos têm de ser produzidos, e são-no nas quintas. Sabia que existem mais de 33 mil viticultores na região do Douro e que 80% possuem menos de meio hectare de cultivo (meio-campo de futebol)? Os outros 20% estão nas mãos dos grandes produtores que garantem uma produção constante de marcas já bem conceituadas e conhecidas no mercado.  

Se quer conhecer alguns dos principais nomes responsáveis pela produção dos vinhos que lhe chegam às mãos desta região, aqui tem 15: Quinta dos Murças (Esporão), Muxagat, Quinta do Crasto, Quinta do Vallado, Niepoort, Vale Dona Maria, Quinta do Vale Meão, Ramos Pinto, Vinhos Conceito, Quinta do Pessegueiro, Real Companhia Velha, Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo, Quinta do Monte Xisto, Quinta do Noval, Quinta da Romaneira.

Muitas destas quintas são um atrativo particular para os turistas, que aliam as paisagens de cortar a respiração — muitas delas olhando o vale do Douro a perder de vista — ao prazer de saborear bons vinhos e até assistir ao seu processo de fabrico. O enoturismo é uma das principais atividades da região, e as quintas que o praticam oferecem experiências completas, com visitas guiadas, participação na própria atividade de produção e outras atividades na natureza como passeios guiados, desporto ao ar livre, sem esquecer a gastronomia de excelência que dá a provar as iguarias da região.

Ao já existente atrativo turístico, juntou-se o reconhecimento internacional quando, em 2001, uma parte da região vinhateira (26 mil hectares) foi classificada pela Unesco como Património da Humanidade.

No Vinuus, o ponto de encontro entre produtores e apreciadores, encontra muitos dos vinhos provenientes das quintas, como os da Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo e Quinta da Sequeira. Desta quinta, destacamos o Quinta da Sequeira Grande Reserva Tinto 2016, um vinho produzido a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Vinhas Velhas na região demarcada do Douro. 

Região demarcada do Douro | Quintas no Douro | Vinha do Douro

Não perca a oportunidade de saborear um pouco de uma das mais belas paisagens no mundo num copo de vinho, tranquilo ou licoroso, branco, tinto ou rosé. O importante é representar esta cultura de dedicação à perfeição à beira Douro.

Quer saber mais? Entre em contacto com a nossa equipa através do email: customer@vinuus.com