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Por detrás de um bom vinho está uma grande mulher

As mulheres preferem rosé? Os homens é que sabem fazer vinho? Nos últimos anos, estes estereótipos têm sido postos em causa. As mulheres vêm ocupando o seu devido lugar à frente da produção vinícola, em Portugal e no mundo e, apesar de a profissão de enólogo ser encarada tradicionalmente como uma profissão de homens, hoje elas provaram que a paixão da vinha e do vinho não tem sexo definido.

mulher vinhedo vinho rosé


Quando foi a última vez que teve a seguinte experiência? Você entra num restaurante para um jantar a dois. Sentam-se e veem o menu e a carta dos vinhos. Fazem o pedido ao empregado solícito e, passado um momento, este regressa à mesa com a garrafa na mão. Mostra o rótulo aos dois, abre a garrafa e… serve o vinho no copo do homem. Se o homem for você, sente-se embaraçado por não ter sido perguntado quem iria provar e ter passado à frente; se você for a mulher, sente-se ofendida por se ter assumido que, como elemento do sexo feminino, não estava qualificada para provar o vinho. Se não passou por esta experiência, parabéns!

 A verdade é que mundo do vinho tem sido definido no masculino por séculos e séculos. Apesar de desde o tempo do império romano o consumo do vinho ter sido democratizado no sentido de ser permitido a escravos, mulheres e soldados de igual maneira, a realidade é que não só o consumo, mas também a produção de vinho, têm estado conotados com o universo masculino. Mas desde os anos 70, segundo os especialistas, que a realidade se tem vindo a alterar. Hoje, de forma radical. 

Segundo vários estudos, as mulheres são responsáveis pela maioria de consumo de vinho em todo o mundo. A vantagem não é muito grande (49% para os homens e 51% para as mulheres), mas não deixa de ser significativa face ao estereótipo do consumo. Por outro lado, a mulher também tem forte preponderância na escolha do vinho que se compra lá para casa: de acordo com uma pesquisa realizada em Inglaterra pela Vinexpo, uma das maiores feiras de vinhos do mundo, 8 em cada 10 garrafas de vinho são compradas por mulheres.    

Percebe-se aqui que as coisas realmente mudaram, e não só no consumo, mas também na produção. De facto, as mulheres estão cada vez mais empenhadas em fazer parte de um mercado que durante muito tempo as olhou com desconfiança. E não há razões para isso; basta ter em conta que a classificação das mulheres no “Masters of Wine”, um dos exames de vinho mais difíceis do mundo, é superior à dos homens

As Mulheres e o vinho: em Portugal temos vários “óscares do vinho” atribuídos a enólogas

Hoje, um terço dos enólogos em todo o mundo é constituído por mulheres. E têm alguns exemplos na história para as inspirar. Um deles é a lendária D. Antónia Ferreira (também chamada de Ferreirinha), uma hábil e decidida mulher de negócios que influenciou a paisagem vinhateira do Douro no séc. XIX, comprando quintas e introduzindo inovações e que, diz-se, escapou a um naufrágio por causa das saias que lhe serviram de boia (um dos casos em que ser mulher é uma vantagem).

Mas o caso da D. Antónia Ferreira fez história por ser, precisamente, uma exceção. Se há 30 anos não havia mulheres a fazer vinho em Portugal, atualmente existem muitos exemplos de excelência vinícola com um toque feminino.

Mulheres e o vinho | Dia da Mulher | Dia Internacional da Mulher

As exceções que desafiam a regra

Por detrás de um bom vinho está também uma grande mulher. Ao contrário do que acontecia há poucas dezenas de anos atrás, as mulheres foram ocupando o seu devido lugar à frente da produção vinícola, em Portugal e no mundo. Apesar de a profissão de enólogo ser encarada tradicionalmente como uma profissão de homens, hoje elas provaram que a paixão da vinha e do vinho não tem sexo definido. Vamos conhecer alguns exemplos de entre muitos que, felizmente, já existem.

A Revista de Vinhos, no seu anual evento de atribuição de prémios aos melhores do ano, atribuiu o “óscar” de Enólogo do Ano de 2020 a uma… enóloga. Filipa Pato, a distinguida, foi a primeira mulher da região da Bairrada a ser agraciada com tal prémio, mas não foi a primeira mulher, como vamos ver em seguida.

Filipa Pato, filha do conhecido enólogo da Bairrada Luís Pato, começou a sua carreira em 2001. Após formar-se em engenharia química pela Universidade de Coimbra, andou pelo mundo, passando por algumas das principais regiões vinícolas internacionais como Bordéus, na França, Mendoza, na Argentina, e Margaret River, na Austrália. 

Hoje, com a chancela Filipa Pato & Willian Wouters, continua a sua filosofia que exibe no slogan presente em todas as suas garrafas: “vinhos autênticos, sem maquilhagem”. 

Joana Maçanita também tem o vinho a correr nas veias da família. Irmã do conhecido enólogo António Maçanita, Joana é enóloga, produtora de vinhos, consultora e formadora. Iniciou a sua carreira no Alentejo, passou pela Austrália e hoje faz produção própria no Douro, desde 2011 e ajuda outros produtores a criarem uma identidade e vinho próprios através da consultora que tem com o irmão, a WineID. É também uma autora publicada, com o livro “Branco ou Tinto?” sobre os segredos e curiosidades do vinho.

Susana Esteban desceu da Galiza para o Douro e depois até ao Alentejo. Pelo caminho passou pela Sandeman e pela Quinta do Crasto, ganhou o prémio de Enóloga do Ano, em 2012, pela Revista de Vinhos, acumulou mais uma série de prémios internacionais e tem lançado vinhos próprios com nomes como “Procura”, “Aventura”, “Sidecar” e mais recentemente o “Croché” e “Tricot”, com a sua amiga também enóloga Sandra Tavares da Silva.

A Casa Ermelinda Freitas está presente em quase todas as superfícies comerciais. É uma marca de grande sucesso que se afirmou graças ao empenho de quatro gerações de mulheres cuja viuvez as forçou a tomar conta do negócio. Com 440 hectares de terra e uma produção de 12 milhões de litros de vinho, a marca é atualmente dirigida por Leonor Freitas, que espera passar o negócio à sua filha.

Joana Cunha é uma enóloga da Quinta do Mondego, no Dão, espaço que a família comprou em 1994 e que desenvolveu com 30 hectares de vinha. Após estudos em Microbiologia e pós-graduações em enologia e viticultura, Joana dedicou-se à produção dos vários vinhos da Quinta do Mondego, sendo uma das maiores promessas da região.

Comprar e apreciar vinho: gostos para todos os géneros

Há um gosto particular das mulheres em relação ao vinho? Há vinhos adequados ao gosto feminino mais que ao gosto masculino? As mulheres preferem rosé e os homens preferem tinto? Os estudos e as opiniões são contraditórias. O que se pode dizer é que ambos os géneros sabem apreciar o vinho em geral, nas suas inúmeras variedades.

Por exemplo, se a sua preferência pessoal vai para aromas mais florais, porque não experimentar o pack Eterno Feminino, com uma seleção de vinhos que privilegiam estas notas de prova, incluindo o ligeiro aroma a rosas e hortelã-pimenta. Mas se gosta de ver a vida em tons rosé, porque não descobrir o pack La vie en Rosé com escolhas da Quinta da Sequeira para uma frescura e leveza incomparáveis.

Se quiser experimentar a produção de uma enóloga, aventure-se no pack Girl Power, com uma seleção de vinhos da Quinta do Mondego, da responsabilidade de Joana Cunha.

E porque as mulheres não têm de gostar apenas de sabores suaves e subtis, o pack I’m Sexy and I Know it propõe um conjunto de vinhos do Porto para momentos de sabor mais intenso.

Como se vê, em questão de gosto, os vinhos dão para todos os géneros. Feminino ou masculino, cada um escolhe aquele que mais tem de ver consigo. Sexos à parte, o que é bom deve ser apreciado na sua plenitude e as mulheres há muito que provaram que na altura da prova, elas sabem muito bem o que fazem. 

Quer saber mais? Entre em contacto com a nossa equipa através do email customer@vinuus.com